segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O mais importante nunca se conta


Acabei de ler o conto (que é bem curto, por sinal) "Colinas como elefantes brancos" do Hemingway. Nele, um casal fica conversando numa estação de trem sobre uma operação que a moça terá que fazer. O cara fica dizendo o tempo todo que estará com ela e a apoiará, independente da decisão de operar ou não, mostrando que está com ela pro que der e vier. Ela, ao olhar pela janela do trem, compara algumas colinas que estão em seu campo de visão a elefantes brancos, o que, na verdade, é uma metáfora sobre o momento em que estão vivendo. O narrador e os personagens não dizem em nenhum instante qual que é a operação e isso vai prendendo o leitor. O Hemingway comparava a estrutura dos textos literários a icebergs, pois sua maior parte está imersa. É nessa maior parte que está a que interessa e ela nunca é dita. Cabe a quem está lendo tentar captar o que está acontecendo no resto do conto para tentar decifrar ou chegar perto de uma idéia mais próxima.

Essas metáforas não são só para os gêneros literários. Muitas vezes, nós dizemos o mínimo necessário sobre a nossa vida aos outros e acabam rolando histórias mirabolantes na cabeça de quem pouco (ou até muito) conhece sobre você. Assim como nos contos, acaba dando margem ao surgimento de histórias secretas, além da que está sendo narrada (ou vivida), de acordo com a interpretação de cada um...

"Colinas como elefantes brancos" é muito bom. É bem curto e vale muito a pena "perder" cinco minutos para lê-lo.

Pegando uma carona na idéia do iceberg, nós sabemos que quase todos têm problemas, dificuldades ou situações mais sérias, que demandam dedicação e tempo, além de pensamentos intermináveis. O importante mesmo é saber que é necessário enfrentá-los e seguir adiante. O iceberg pode ser grande, mas o que importa é a própria pessoa saber que é possível enfrentar qualquer dificuldade que esteja em seu caminho. Basta querer vencer.

Não é preciso fazer tanto mistério na vida real como se faz nos textos, mas se não houver mistério ou suspense algum, fica tudo tão evidente, tão previsto, que antecipa o fim de tudo e elimina a curiosidade que deve sempre existir sobre as pessoas que te fazem bem e que você quer bem.















(Será que as colinas realmente não podem ser como elefantes brancos?)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Conselho

Esquece que nesse mundo há amargura
Esquece, meu bem, vê se esquece
Se a verdade não é nenhuma doçura
Não há mal que vença uma boa prece

Não prende teus anseios a uma tortura
E não fica parada se nada acontece
Se somos reles criaturas sem cura
Também somos a lua quando o céu escurece

Pensa bem, tenta fazer tua vontade
Mas define o que é o melhor para ti
E sonha forte o que tem que ser realidade

Só não fica nessa dúvida, nesse "se"
Não é nenhuma vergonha sentir saudade
O que vale disso tudo é saber sentir

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Destoa...

A lição das noites que passo em claro,
seja por tristeza ou contentamento:
tentar apreender, olhando pra dentro,
algo muito belo e por isso raro.

Falo das palavras que em tempos idos
fizeram corar a face tão linda
daquela com quem eu agora ainda
sonho em reaver os laços perdidos.

Mesmo na aflição de um futuro incerto
conservo as lembranças do bom da vida,
além da esperança de ter mais perto.

E se a essa altura 'inda alguém duvida,
posso ser mais franco, direto e aberto:
isto é com você, menina bonita.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pra tudo ficar bem

Bom, sem querer tornar este blog mais musical do que qualquer outra coisa, mas já tornando, eu vou falar um pouco aqui o que eu faria, se pudesse, em todas as segundas-feiras no fim da noite.

Há alguns anos (já não me lembro quantos) eu comecei a ir ao Semente, ou melhor, à Comuna do Semente. Não vou contar detalhes do que é o Semente, de como surgiu, dentre outras coisas, pois lá é um lugar que carrega, desde a sua criação com o nome inicial de Bar Semente, tantas coisas boas para a cultura e, em especial, para a música carioca, que eu talvez fosse ficar devendo alguns detalhes, até por não ter visto de perto tudo o que já rolou lá (até por questões de idade hehehe).

O Semente é um lugar onde você se sente em paz. A música e o ambiente se combinam de tal maneira que você não tem outra vontade ao sair senão a de voltar àquela atmosfera que só há ali. Os domingos e as segundas são incríveis, mas não há como menosprezar o que rola por lá nos outros dias, com exceção de sexta, pois neste dia a casa não abre e é quando rola o baile do projeto Semente da Música Brasileira no Democráticos.

No domingo rola um samba muito bom. Muito samba novo, muito samba do Chico, muito samba do Dorival, muito samba bonito. É tudo muito bacana.

Na segunda eu acho que eu fui mais (mesmo trabalhando na terça bem cedo... dou um jeito, fico menos tempo do que gostaria e durmo um pouco antes de ir lá pra poder dar uma equilibrada hehehe)... É o dia do choro, mas não é especificamente uma roda de choro daquelas tradicionais, é uma espécie de sessão de jazz e improviso (muito comum na linguagem do choro também), só que ao invés de tocar jazz, toca choro. Deu pra entender? hehehe Mas é mais ou menos assim e é incrível. Os músicos deste dia são Zé Paulo Becker no violão, Tiago Souza no bandolim, Caio Márcio no violão midi e Carlos Cezar na percussão.

Nesta última segunda-feira eu dei uma passada lá e foi uma maravilha. Rolou até canja do Yamandu. Por sinal, rola muita canja lá e só de gente que toca "pouco"...

Quem gosta de uma boa música e gosta do Rio não pode deixar de ir neste lugar... Quem não é muito familiar com os gêneros que por lá tocam com certeza não se sentirão incomodados...

E quem me conhece um pouco mais sabe como eu gosto de lá e o quanto volto sempre que posso.

Logo abaixo tem duas "canjas" do Zé Paulo Becker e seu grupo, sendo uma delas acompanhada pela voz de Beth Marques.

Zé Paulo Becker no Semente - Bem-vindo

Zé Paulo Becker/Beth Marques no Semente